ENCONTROS IMEDIATOS DE UM QUALQUER GRAUº
ENCONTROS IMEDIATOS DE UM QUALQUER GRAUº
Prefácio
CAPITULO I - ENVIADO A HADES
Sinto meu corpo levitando, ouço vozes, vejo pessoas, falo mas ninguém me ouve.. Morri?!?
Enquanto me despegava das amarras terrestres, consegui avistar por entre algumas pessoas, familiares e amigos chorando, serviu de consolo para o início de um estado que me parecia muito doloroso. De repente, fui puxado como sugado por uma ventosa qualquer e enviado através de um tubo escuro, com diferenças de temperatura extremas e que me parecia um espaço muito estreito pois a sensação claustrofóbica, de ansiedade e pânico me invadiam, ao mesmo tempo que batia, que me parecia sendo nas paredes laterais. A minha viagem continuava muito angustiante pelo sofrimento que ia tendo porque sempre que mudava de direcção de um tubo para outro sofria imensos traumatismo ao bater em objectos bastante sólidos que andavam à deriva ficando completamente desarticulado, não fazia ideia onde tinhas as pernas ou os braços, parecendo um verdadeiro contorcionista de tão quebrados que os ossos estavam, ouvia ecos e sons de gemidos de dor que não sei se eram meus ou de outros companheiros de viagem.
Início mais uma vertiginosa descida em que a força da gravidade me leva tão depressa para baixo levando uma parte do corpo e outra ficando em cima me esticando tipo elástico que quando estava quase a rebentar se junta tão rápido que com essa força do impacto sou projectado contra uma parede ficando colado e como geleia vou escorregando devagar caindo num canal de um percurso, género levada de líquidos. Por entre muitos murmúrios já consegui vislumbrar algumas silhuetas de corpos esbracejando, através das luzes raras de cor violeta, vermelhas, azuis. A corrente da água centrifugava levando-nos ora para cima, ora para baixo, o cheiro era nauseabundo, com um gosto horrível e me fazia arder as feridas. Entrei numa zona mais calma ficando encalhado, amontoado com outros numa espécie de lagoa e por um canal muito estreito éramos puxados por um ser muito estranho que parecia cantando músicas bastante tenebrosas, com um arpão espetava para nos empurrava fazendo um género de filtragem de controlo de qualidade, uns por um lado, outros por uma cascata caindo de costas num enorme prego que vasava pelo umbigo, uns em cima de outros nos sufocando à espera da vez de ser atendido.
Um ser todo deformado, rabugento, irritado talvez com o excesso de trabalho ou desgostoso com a tarefa que desempenhava, com uma linguagem impercetível, um a um nos ia tirando do prego sem maneiras ou cuidados e empurrando-nos por um caminho todo lamacento e salpicado pelos detritos que ia caindo dos corpos até a uma sala enorme que mais parecia uma plataforma de despacho de mercadoria. Esta enorme sala em cada canto iluminada por diversas fogueiras alimentadas por intrigantes personagens que com engaços iam metendo entre muitas coisas, também corpos que estavam e iam caindo pelo chão, em cada porta de embarque imensa multidão, em quadrados bem geométricos, ordeiros, nus, seminus, maltrapilho esfarrapados, quase desfalecendo, iam aguentando mas em grande sacrifício para não cair e ficar sendo combustível para fogueira, amparados uns nos outros.
Sou encaminhado por empurrões e enquanto percorro essa sala vou percebendo por entre murmúrios e lamentações que toda esta gente já tem, rótulo de guia de marcha para outras secções e eu vou-me dirigindo para saber qual o meu destino. Entro num grande anfiteatro, em forma de assembleia onde estavam criaturas horrendas de várias espécies servidas com mordomias por humanos que cumprem sua pena capital escravizados. Sou levado para o meio juntamente com mais uma dúzia e essas criaturas nos fazem um interrogatório numa linguagem indecifrável e sem interprete não conseguindo responder levamos uma carga de porrada, com murros pontapés, paulada por um grupo de minorcas com risos de escárnio entre gestos e linguagem enraivecidos e assustadoramente agressiva. Nos intervalos do interrogatório os membros da assembleia discutiam falando a gesticular entre si parecendo estar divididos entre opiniões sobre qual o destino a nos dar.
Por fim, alguém gritou e ficou um silêncio que se podia ouvir os nossos ossos a ranger de tão maltratados que estavam, levantou-se um ser hediondo de um corpo com sete cabeças que depois de falarem entre si apontando para nós proferiu a sua sentença indicando o destino um a um , metade foi enviada para a sala e a outra metade onde eu estava incluído, fomos metidos todos juntos num saco em vácuo borda fora, ficando a pairar num espaço infinito. Sem poder mexer e respirar flutuava pairando naquela imensidão vazia, à deriva. Senti que me estava apagar lentamente, já nem conseguia sequer pestanejar e não sei quanto tempo fiquei, porque neste espaço temporal um dia é como mil anos e mil anos como um dia.
CAPITULO II - TRÍADE DO VAZIO / FLASHES /ÓPIO DO VAZIO
Naquele firmamento, existe um triângulo composto por três dimensões : Hades, sitio dantesco onde todos os maus humanos que morriam iam cumprir sua pena, com sofrimento continuado. Latíbulo, sitio de harmonia para onde iriam os bons humanos, viver em paz, vida eterna despreocupada. Seol, também conhecida pelos mortos vivos, plataforma por onde todos humanos teriam de passar numa triagem antes de serem enviados para Hades ou Latíbulo. Quando Hades devolve é porque não passou por Seol e foi lá parar por engano ou então ainda não está bem desapegado da vida terrestre. O espaço que circunda estas três dimensões, é espaço sideral, vazio, um hiato oco, escuro, espaço de ninguém, mas onde existem inúmeras plataformas de mercenários esquizofrénicos esquisitos que têm como modo de vida e prazer, o provocar do sofrimento. Fomos recolhidos, içados tal qual os pescadores o fazem com as suas redes durante a sua faina.
Tal como nós, estavam também outros em sacos de vácuo empilhados, uns em cima de outros. Estes seres, eram umas criaturas mais agradáveis ao olhar, mas também com aspectos bizarros, havia uns que tinham os olhos na testa, uma boca quase normal, ouviam por dois orifícios com um ponto pontiagudo em cada lado mesmo acima da boca e respiravam por um género de guelras tipo peixe que ficavam onde nós temos as nossas orelhas. Tinham presos por correntes e trelas outras criaturas que falavam mas moviam-se com os quatro membros , espumavam de raiva à espera de serem soltos e de uma ordem para despedaçar antes mesmo de nos tirarem do vácuo. Fomos retirados do plástico e ordenaram que nos sentássemos num canto do transporte que nos levava e sobre o olhar assassino dos pitbull como se fossemos um biscoito canino qualquer. Durante a viagem, um gabarola excêntrico foi dizendo gabando-se que éramos uma espécie de lixo humano, normalmente enviado por Hades e é onde aparecem estas género de naves na recolha de corpos pairando no espaço para serem levados para caçadores numa forma de coutada, bem ao jeito dos escravos que quando conseguiam fugir das sanzalas eram perseguidos por jagunços com os seus cães ávidos do prazer da tortura e do sofrimento das suas presas nessa caçada.
Dizia que no espaço sidral não havia melhor catador de lixo humano como ele, era ele quem fazia as delicias lazeirentas dos senhores poderosos daquele buraco escuro, os senhores da caça, íamos passar pelos maiores horrores, mas também íamos ter a nossa oportunidade de retomar a procura do nosso caminho, mesmo sendo obejecto de troféu. Não havia dia nem noite, era um luzco fusco permanente, mas ao longe muito ao longe conseguia vislumbrar um clarão apetecível de alcançar Estávamos remetidos a umas gaiolas bem guardados pelas criaturas parecidas com um pitbull sob umas plataformas suspensas nesse imenso espaço vazio. Chegaram os senhores da caça e numa linguagem que todos percebemos apesar das diferentes nacionalidades, foi explicado que o nosso destino estava na nossa força, na vontade, estava nas nossas mãos. Éramos uns corpos que ainda não estávamos preparados para fazer esta travessia mas tínhamos que dar luta e evitar que fossemos apanhados por eles e suas criaturas quadrúpedes horrendas e também evitar cair em Seol, a terra dos mortos vivos , pois caídos lá só tínhamos dois destinos, Hades ou Latíbulo, tínhamos que encontrar o nosso caminho.
Fomos libertados um a um com intervalos de espaço, tínhamos que passar pelos quadrúpedes para nos cheirarem, percebi que as criaturas quadrúpedes horrendas sedentas do sabor a sofrimento, apesar de terem uns olhos enormes, eram completamente cegos, tinham um cheiro forte com uma mistura de odores, moviam-se em perseguição só com o excelente olfacto que conseguiam farejar a km de distância. . Começou o que para eles era um lazer, um festim um jogo, para nós era a sobrevivência. A perseguição era feroz, muitas vezes implacável, quando prendiam alguém com aquelas mandíbulas sagazes. Enviavam com toda a violência para um depósito que os senhores da caça, seus donos conduziam e era um festejo sarcástico. Ia escapando, aprendi a perceber a presença dos quadrúpedes se estavam perto ou longe também através do meu olfacto, procurava as raras brisas para sentir o forte odor, saltava de plataforma em plataforma e todas eram muito diferentes, tanto em aspecto como em segurança.
Reparei que as plataformas que me davam mais segurança em caminhar, mais apetecíveis, eram as mais obscuras, mais assombrosas, mais enganosas, tinha outras sete que me davam flashes muito ligeiros da minha vida na terra mas não me davam estabilidade e segurança no andar para prosseguir a minha fuga e evitava-as. Estava fugindo dos caçadores e evitar cair em Seol e tinha como linha de referência a maravilhosa e resplandecente luz que avistava, mas não era por ali que tinha que ir, pois ao seguir essa luz me aproximava mais daquilo que tinha que evitar. Comecei a entender as palavras dos senhores da caça e era a hora de ter o espírito de sacrifício e sofrimento, era a hora de ir ao limite, era por ali que eu tinha que ir, pelas sete mais instáveis, pelas que ofereciam mais dificuldade, mas também eram elas que me davam os tais flashes de me segurar à vida.
CAPITULO III - “O SOPRO DOS FLASHES” / ENCONTRO COM QUERUBIM
No impacto, bati com a cabeça e fiquei meio atordoado, zonzo e deslizava perigosamente borda fora, não tinha nada onde me segurar, era completamente lisa, consigo perceber que era por estas plataformas que tinha que caminhar, era agora que precisava de lutar e quando saio do estado de aturdido começo a ver flashes da minha vida terrena, os sítios por andei, as lagoas por onde nadei, os meus hobbis, a plataforma começou a estabilizar e já completamente equilibrada, adormeci, depois de tanto tempo, consegui finalmente descansar e fui invadido por essas lembranças de vida. Fui acordado e acordando tranquilamente com musicas de harpas e eboés, um som sublime, primoroso, excelso. Abri bem os olhos, levantei-me e fiquei extasiado e estremecido com a beleza das sete pessoas que estavam à minha frente, uma beleza inigualável que nem consigo descrever, de um brilho tamanho que não conseguia fixar durante muito tempo.
Com a voz mais doce e harmoniosa que já tinha ouvido foram me explicando que era por esse rumo que tinha que seguir para encontrar o meu caminho, mas não podia desleixar e até relaxar, tinha que encontrar mais flashes de outras partes mais importantes, flashes que me fizessem agarrar às plataformas como me agarrei a esta, tinha que procurar e saltar para mais. Não entendi porque estava naquele estado, precisava que me explicassem como fui ali parar, disseram que tinha que ser eu a descobrir e a entender e só depois disso me podiam ir ajudando, tudo dependia da minha vontade e força de querer. A única coisa que podiam fazer era uma amostra, uma imagem em forma de relâmpago do que estava acontecer nesse momento na terra, lançam o trovão com o relâmpago e por entre uma névoa consigo rememorar alguém deitado e outras silhuetas que me pareciam conhecidas com ar de preocupação, mas não consegui alcançar e decifrar o quadro que me foi mostrado.
Antes de me deixarem, voltaram a afirmar que o rumo que tenho que seguir é o mais difícil mas é nas plataformas de flashes que apesar de instáveis é nelas que tenho que me segurar. Abriram as asas e com uma batida magistral subiram a cosmos. A plataforma começou a balançar, a se desfazer a ficar sem flashes de memórias que me pudesse segurar e estava na hora de procurar e saltar para outra. Apanhei uma tempestade geomagnética,, as ondas de choque criaram um vento que acabou por me desprender do resto do flash onde me agarrava, estava a ser projectado em redemoinhos para fora do firmamento triangular e daquele espaço sideral. As partículas varridas com o vento batiam em mim com toda a violência, acompanhadas também com fluídos de energia que me queimavam ou até mesmo me perfuravam. De batimentos cardíacos bastante acelerados, começaram a bater com menos frequência e fui deixando-os de ouvir e sentir. Andava em órbita, em posição fetal com voltas rotacionais... completamente à deriva.
CAPITULO IV - RESGATADO POR BADWIS
Estava a sentir o fim, já quase que não me sentia e ao fazer mais uma volta de rotação, persenti algo transcendente e ouvia os sons de harpas e eboés e por uns micro milésimos de tempo vejo imagens de familiares na terra, sofro uma pancada como um choque e abro os olhos e vejo-me emaranhado numa rede e sinto os batimentos cardíacos que voltam lentamente mas em progressão a bater, a voltar ao ritmo normal. Navegavam nuns navios ao estilo de piratas, com umas velas espaciais que mais faziam lembrar painéis solares, com umas enormes raquetes todas abertas presas nas partes laterais do navio, forradas com uma malha de rede bem fininha que apanhavam tudo que essa rede conseguia filtrar. Era uma tribo Badwi, muito parecidos aos primatas, cobertos de pelos e com umas roupas esquisitas, não eram hostis, eram muito amáveis, com toques dóceis trataram de mim limpando todos os ferimentos provocados pela tempestade, onde já estavam também outros humanos nas mesmas condições que eu.
A tribo Badwi, está dividida em três clãs, este clã faz a recolha de humanos perdidos para que não fiquem espíritos vagabundos e que possam vaguear durante séculos não podendo terminar o circuito rotativo da vida e levam-nos para Seol, é a partir daqui que os humanos são levados para ouvir a sua sentença perpétua, outro clã mais musculado faz o transporte de Seol para Hades, imagino ser um transporte complicado e o terceiro clã leva para Latíbulo, imagino que seja um transporte harmonioso. É esta a missão destes seres dóceis, a reposição do ciclo. Atracaram junto ao enorme portão de entrada do firmamento de Seol, conferiram os passageiros que traziam, junto com o colégio de anciãos, que iam autorizando a entrada, algo batia mal comigo e não foi permitida a minha entrada pois ainda não tinham lá a ordem de Guru e foi recomendado que me deixassem ficar junto ao portão.
Um Badwi, entregou-me um astrolábio para medir o firmamento e um candelabro menorá com uma luz ténue, continuava a não entender e eles diziam que só estavam ali para ajudar , o resto dependia de cada um, que estava na minha força, que tornava a depender de mim saber usar o instrumento e não deixar apagar a luz por muito ténue que fosse. A luz fui-a protegendo com o corpo e alimentando-a com memórias de vida, que sempre que me recordava de algo ou alguém ia ficando uma luz mais forte, o astrolábio consegui fazer uma leitura e traçar uma rota para um jardim de rara beleza que ficava na rota entre Seol e Latíbulo, só precisava de arranjar um meio de transporte. Não havia barcos para essas paragens, no que ia para Latíbulo não podia ir pois era destinado exclusivamente só para quem tinha autorização para lá entrar. Esperei. Os carregamentos estavam a ser feitos e partiu um para Hades, era arrepiante os gritos de desespero, aflitiva a visão que conseguia enxergar. O barco para Latíbulo estava pronto a partir emanava uma paz glorificante, havia cânticos. Esperei a oportunidade e no momento que estava a arrancar saltei com todas as minhas ultimas forças mas com toda a determinação e agarrei-me e fui à pendura, fui à sucapa. Não podia esquecer o astrolábio, fundamental para o percurso e o mais importante, o candelabro menorá de sete braços, a luz que me mantinha a vida.
CAPITULO V - EM EDÉNICO
Apesar da boleia estar a ser tranquila, era em esforço , embora a pouca gravidade sentida, que por um lado até beneficiava, ia sendo atraído ao barco, mas ia pendurado com uma mão que trocava de quando em quando, o astrolábio na outra que me dava a rota, e o candelabro preso na boca, esta era a hora de serrar dentes, pois quanto mais avançava, mais forte ficava a chama da luz do candelabro. Comecei a sentir a força da gravidade a me puxar para baixo, o esforço estava a aumentar e já não conseguia mais, tinha atingido o limite das minhas forças,. Vejo um enorme clarão, olho para baixo e tenho diante dos meus olhos o espectáculo mais bonito que podia ter, um enorme paraíso exótico de terra, água, vegetação, era idílico. Era Edénico. Deslumbrado com tanta beleza, sem força para me agarrar, deixei-me cair astrolábio para um lado, o candelabro para outro e eu completamente na vertical, em queda livre, que mais sofrimento poderia ter?!?!?
Sinto o ritmo alucinante abrandar e vejo-me amparado por sete Gnomos que me levam mais abaixo e como não podem pisar Edénico sou entregue às aves de lá que com suas garras me seguram em jeito para-quedas e muito suave me pousam em chão firme. Estava em Edénico, um jardim deslumbrante, existia tudo o que tem na terra, uma planta ou erva de cada espécie, havia um casal de cada espécie animal, todos falavam , tudo que lá havia falava. Veio ter comigo um casal jovem, à imagem e semelhança dos humanos, muito bonito e foram dizendo que eu não podia ficar ali, era lugar da criação, em Edénico só está o que faz falta na terra, nada existe sem ter saído de Edénico, porque tudo o que nasce e se renova na terra, mesmo tudo, é enviado por este jardim através do arco íris.
Inquiri se me podiam então enviar para terra, a resposta foi enigmática, dizendo que não podiam porque o meu corpo estava na terra e só o meu espírito ou mente é que estavam lá, eu não tinha tido a sentença de Seol, tinha que ter visão para compreender, tinha que ser eu descobrir a saída, só me podiam ajudar dando pistas, mas eu tinha que as decifrar. Veio a cobra e pediu que a acompanha-se e levou-me até junto à nascente do arco íris e disse que eu tentasse compreender as suas cores , porque era através dele que tudo na terra existia, o arco íris é o responsável de tudo. Edénico é como se fosse a fábrica, o armazém da terra e quando alguém ou algo nascia ou se renovava, era de lá que saía através do arco íris. Sempre tive no meu imaginário a presença do arco íris na terra, algo de transcendente. Sentei-me junto a ele, mesmo na sua nascente e não conseguia descodificar, não conseguia elaborar um plano para o poder escalar pelo menos até à curvatura, porque chegado lá iria ser mais fácil ,era só descer tipo escorrega de um parque.
Tentava entrar nas cores, uma de cada vez, mas nada acontecia, só conseguia perceber que existia sete cores, mais uma vez desolado, deitei-me em forma de concha sob as cores, e adormeci. Durante este sono algo me murmurava..."a besta que te soltou tinha sete cabeças"..."eram sete as plataformas de flashes"..."sete querubins"..."o candelabro menorá que trazias é de sete braços, a luz que nunca se apaga "..." sete
CAPITULO VI - DE VOLTA À VIDA
07h 07m ,07s Durante este sono, que dormia em forma de concha sob as cores do arco íris, tinha uma sensação que meu corpo levitava sempre que me esticava, mas logo ao sentir, num reflexo tornava a me encolher. Acordei e como estava na duvida se tinha sonhado ou tinha mesmo levitado, experimentei, deitei-me de maneira a que apanhasse todas as cores e comecei a levitar, mas ainda não tinha força suficiente e quando pensava que conseguia, voltava a descer. Sentei-me do lado de fora, olhei e tentei compreender as sete cores : Vermelho: energia, amor e paixão, coragem Laranja: força, saúde e comunicação, sucesso Amarelo: luz, optimismo e alegria, jovialidade Verde: esperança, vitalidade, equilíbrio, paz, confiança; Azul: tranquilidade, harmonia e serenidade Indigo: respeito, sinceridade, individualidade; Violeta: espiritualidade, a magia e o mistério.
Finalmente percebi, só juntando todas as cores, interiorizando todos os significados iria ter, a energia, a força, a luz, a serenidade, a magia para poder levitar. Deitei-me apanhando todas as cores, senti todos os significados que elas representam a invadir toda a minha alma, senti e levitei, levitei, olhava para Edénico e via toda a criação, terra, agua ar, fogo. Nada está por acaso, tudo tem um sentido bem determinado, mas a escolha é sempre nossa, de ir por aqui ou por ali, desistir ou continuar, para um renascimento de força para evoluir numa nova oportunidade. Cheguei à curvatura do arco íris levantei-me e pude contemplar toda a beleza do Universo, todo o equilíbrio para que pudesse haver vida em terra, porque o equilíbrio é o epílogo de tudo, a terra não é nossa, mas nós somos da terra.
Em comunicação fiz uma retrospectiva de todo este processo passado, a determinação fez-me escolher não deixar apagar a luz por muito ténue que estava e comecei a descer com coragem e tudo foi ficando para trás. Descia com leveza com serenidade, com equilíbrio Quando comecei a avistar terra, um foco com uma visão me direccionou para um leito de uma cama, estava lá um corpo deitado que ao sentir a luz, ao sentir a harmonia, abriu os olhos com muita expressão, sorriu, desci muito suave, desci em paz, e como uma magia ou mistério, entrei como um abraço e fiquei na individualidade de um só. ...
07h 07m 07s de volta à vida.
Seremos humanos vivendo uma experiência espiritual, ou espíritos vivendo uma experiência humana ?!?!
F I M
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